domingo, 14 de fevereiro de 2010

O lado bom da dislexia




Até aqui todos os comprometimentos, sem dúvida, podem ser vistos de forma negativa, mas, o mesmo fator que causa a dislexia é o que desenvolve uma forma perceptiva muito especial, podendo tornar o disléxico altamente sensitivo e inteligente, ou seja, sintomas comprometedores, e sintomas excepcionais de funcionamento do cérebro, estão localizados exatamente do lado direito do hemisfério. É a superativação deste lado, que pode desenvolver um dom perceptivo que com certeza pode convergir, se bem explorado, para uma inteligência brilhante como a de Albert Einstein, Thomas Edson, Walt Disney, Leonardo Da Vince e outros mais, que se destacaram por serem surpreendentes em suas áreas de atuação. Para estes, e muitos outros, a dislexia não foi um transtorno, mas um dom especial, que os tornou mais inteligentes que a média. Os comprometimentos e as dificuldades, que certamente existiram, foram enfrentados por eles de tal forma, que o que ficou evidenciado, foi uma inteligência acima do normal, levando-os a serem reconhecidos como “gênios”, detentores de um dom especial, o dom de mestria. Seus cérebros aprenderam a lidar com uma conceituação não-verbal, a pensar com as imagens de conceitos e idéias. O pensamento não-verbal é evolutivo e mais rápido, possivelmente milhares de vezes mais rápido, e acontece tão depressa que o disléxico não tem consciência quando o utiliza, ele o faz de forma subliminar.

Infelizmente por causa da falta de conhecimento de muitos pais, e pior ainda, de muitos professores e escolas, a dislexia tem sido tratada de forma negativa, muitas vezes até como uma doença, trazendo assim, um enorme prejuízo não apenas na área acadêmica, mas também na área emocional de muitas crianças.

O disléxico precisa de uma didática diferenciada de ensino e um tempo maior para a conclusão do aprendizado. Esse caminho neural milhares de vezes mais rápido deve ser corretamente estimulado por professores para que se possa ter o resultado que se espera através do ensino, uma criança inteligente, criativa e acima de tudo feliz. Outro fator importante e que deve ser observado por pais e professores, é que muitos dos sintomas acima citados, também podem ser observados em crianças com alexia, que é diferente de dislexia. A alexia é uma síndrome neurológica adquirida como resultado de um AVC, um tumor ou uma pancada em decorrência de um acidente, onde é lesionada uma área do cérebro, usualmente danificando a região occipto-parietal do hemisfério esquerdo, comprometendo e muitas vezes impossibilitando o aprendizado da leitura e escrita.

Na escola é importante que seja feito um acompanhamento dos professores e coordenadores em relação ao desenvolvimento cognitivo da criança, de acordo com sua faixa etária, comunicando aos pais quando o mesmo não estiver acontecendo de acordo com o esperado, para que sejam tomadas as devidas providências como os de programas especializados em outro período escolar, avaliações com fonoaudiólogos, psicólogos, pediatras, neurologistas, ou outros, quando for necessário, conforme orientação e pedido da escola.. É bom lembrar que pelo menos 20% das crianças são disléxicas, mas a maioria não apresenta dificuldades suficientes para que sejam percebidas e ajudadas na escola. Muitas delas quase sempre são rotuladas de preguiçosas, relaxadas, mal comportadas, são acusadas de não aprenderem porque não querem, outras vezes, são tidas como crianças tão boazinhas porque não falam e não dão trabalho, passando até despercebidas. O fato é que essas crianças crescerão, e um dia essas dificuldades poderão se tornar um transtorno na vida adulta.

Diagnosticar não altera a forma como esse cérebro geneticamente está organizado em seu funcionamento, mas permitirá aos pais que ao identificar os sintomas, possam buscar ajuda de programas especializados como por exemplo o Processo Seletivo de Informação. Também quando necessário, terapias de apoio com profissionais especializados, para dar suporte e acompanhamento.

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