sábado, 21 de novembro de 2009

Avaliação, o que e como?...

Aluno bem avaliado


Olhando a revista da Editora Lua (www.editoralua.com.br) vi uma matéria sobre avaliação e achei bastante interessante colocar no blog porque para a Pedagoga Adriana Oliveira Lima, a autora do livro “Avaliação Escolar – Julgamento ou Construção?”, fim de ano não é hora de julgar o desempenho dos alunos.
E como estamos praticamente no fim do ano (2009), achei bastante interessante colocar essa matéria, para que alguns professores possam refletir sobre o assunto e o que se passa no decorrer do ano com cada aluno dentro de uma instituição escolar.
A pedagoga Adriana Oliveira Lima é autora de vários outros livros além de ser professora .
Livros: “ Fazer Escola – A gestão de uma escola piagetiana”
“Alfabetização de Jovens e Adultos e a Reconstrução da Escola”
“Pré escola e alfabetização”.
Todos em http://www.editoravozes.com.br/

FINALMETE, SAEM AS NOTAS DO ÚLTIMO BIMESTRE. Continhas no canto do caderno, rebuliço, ansiedade até medo: os alunos correm para calcular e ver se passaram de ano. Esse momento tão conhecido por várias gerações parece estar com os dias contatos. Ao menos é o que esperava a pedagoga cearense Adriana Oliveira Lima, autora de quatro livros e doutora em filosofia, que não acredita na aplicação de provas e no uso do boletim no Ensino Fundamental I. Leia a entrevista cedida com exclusividade para o Guia Prático e reflita sobre a avaliação de seus alunos neste final de ano.

O BOLETIM É UMA EXPRESSÃO DO APRENDIZADO DO ALUNO? QUE OUTRAS FORMA PODEM SER USADAS PARA AVALIAR A CRIANÇA DE 05 A 10 ANOS DE IDADE?

Cada vez mais, as escolas optam pelo chamado “relatório”, que consiste num conjunto de critérios que avaliam a evolução da criança. Não creio em notas finais digam muito sobre a evolução das crianças. No entanto os órgãos oficiais continuam cobrando notas (ou conceitos que dão no mesmo). O que fazer? A meu ver, a nota deve ser fruto de um conjunto de avaliações e nunca de uma só prova (participação, vocabulário, interesse, pesquisa etc.)

E A AVALIAÇÃO DE FINAL DE ANO? COMO PODE SER MEDIDO O DESENVOLVIMENTO DO ALUNO?

Acredito que deixar a avaliação para o final do ano é um ato desumano com a criança, que é extremamente plástica e capaz de mudar rapidamente quando fazemos as intervenções certas. Para medir esse desenvolvimento, basta sabermos que todos os conteúdos estão atrelados ao desenvolvimento cognitivo e emocional da criança, e portanto, ela teria de ser avaliada tendo-se por base seu potencial de aprendizagem. Assim seriamos mais justos. Hoje sabemos dos progressos da ciência psicológica e educacional, mas que nem sempre são considerados na formação dos professores e na construção dos métodos de educação e avaliação. Sabe-se, segundo esses avanços, que existe uma hierarquia das aprendizagens que correspondem a diferentes idades cronológicas. Como uma MÃE sabe que não pode dar feijoada a um recém-nascido (ainda que ele tenha boca, sistema digestivo etc)? Da mesma forma, um professor deveria SABER o que a criança PODE aprender em cada idade de seu desenvolvimento. Por exemplo, uma criança aprende soma e subtração por volta de 7/8 anos, mas só pode entender multiplicação após os 9 anos, e a divisão por volta dos 10 ou 11 anos.

NO CASO DOS ALUNOS QUE, POR ALGUM MOTIVO, NÃO SE AIRAM TÃO BEM DURANTE O ANO. ELES DEVEM SER ENCAMINHADOS PARA A PRÓXIMA SÉRIE?

A criança deve estar na série compatível com seu desenvolvimento afetivo e cognitivo. O Prof. Lauro [de Oliveira Lima] Costumava dizer que as escolas deveriam deixar as crianças livres por duas ou mais semanas para que elas se agrupassem, pois as crianças se procura pelo nível de desenvolvimento, e só então as escolas deveriam organizar as classes. De qualquer forma, a discussão de reprovação é uma aberração ficar ou não numa classe, repetir um ano: todas estas decisões deveriam ser responsabilidade dos adultos, conselhos de classe e conselho com os pais. A criança não pode ser responsabilizada por não ter competência para seguir uma série. Ela deve ser ATENDIDA pela escola. Os adultos avaliam a melhor opção de cada criança. E isso não é utópico. É perfeitamente viável de ser feito em qualquer escola pelo menos até o 5º ano. A aprovação automática é tão irresponsável quanto a reprovação em provas.

MAS É PROBLEMA PARA O ALUNO DO ENSINO FUNDAMENTAL I REFAZER UM ANO ESCOLAR? POR QUÊ?

Nesta concepção que temos é TERRÍVEL, pois é um repetição de tudo e um exercício da baixa auto-estima. A criança, ao ser responsabilizada, se convence de sua incompetência, e isso poderá marcar toda a sua vida não apenas escolar, mas como pessoa. Repetir um ano dever uma tomada de consciência da criança sobre suas possibilidades naquele momento. As crianças que repetem devem ter materiais paradidáticos e outros recursos que tragam novidades. O ideal é a criança retornar tão logo se identifique o problema, assim quase sempre ela aceita melhor, pois é uma prática de competência real e não um julgamento anual.

AO FINAL DO ANO, COMO A PROFESSORA PODE SE DESPEDIR DOS ALUNOS DE MODO QUE ELES SE SINTAM GRATIFICADOS?

Todos podem dançar declamar uma poesia. A professora pode fazer um cartão de despedida e recordação para cada aluno. Todos devem ser iguais, e a confraternização deve apontar a construção de amizade e afeto entre a criança e a escola. O caráter de TODOS participarem é o único critério de um evento como esse. Jamais concluir um ano com notas, entrega de certificados e boletins...

“DEIXAR A AVALIAÇÃO PARA O FINAL DO ANO É DESUMANO.
O IDEAL SERIA REALIZAR INTERVENÇÕES DURANTE O ANO.”

DISCURSSÃO ATUAL

Entre 2008 e 2009, foram lançados vário livros que têm a avaliação escolar com tema. Consulte-os para conhecer diversos pontos de vista.

Exemplo:

“A Avaliação de Aprendizagem Escolar.” De Celso Antunes (Editora Vozes)

“Avaliação Escolar”. De Josele Teixeira e Lilian Nunes. (Editora Wak)

“Avaliação Escolar e Formação de Professores”. De Alaíde Donatoni (Editora Alínea).

Matéria extraída da revista Guia Prático para professores de Ensino Fundamental I (Novembro de 2009)

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