“Olhando, vendo e pesquisando vi em uma matéria postada na internet sobre Viagem ao (des)conhecido, A Educação Nacional em verso e reverso. Que fala do índice de repetência no primeiro ano do Ensino Fundamental no Brasil que continua alto: cerca de 40% dos alunos, isto é, quatro entre dez, segundo o Censo Escolar do Inep ( Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais) do Ministério da Educação e Cultura – MEC. O cenário não é menos desalentador nas demais séries. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 1988 para 1999, apontaram para um percentual também preocupante nas demais séries fundamentais.”É ai que entra a questão. Se os professores estivessem preparados para lidar desde os meados dos anos 80 com a dificuldade de aprendizagem ( dislexia), e tivesse um programa desde essa época de terem psicopedagogos nas escolas, o problema não estaria crescendo ou mesmo mostrando um número grande nas estatísticas de muitos alunos repetindo de ano varias vezes. E na maioria não é nem por falta de interesse nos estudos e sim por terem dificuldade de aprendizagem.
É triste saber que ainda não tem um trabalho voltado para lidar com alunos com dificuldade de aprendizagem.
Sabemos também que a UNB, faz um trabalho com alunos que tem dislexia e com os professores, será que existe? Deveria era ter um estudo, ou curso de extensão para que professores soubessem melhor sobre o que é a dislexia e qual os seus sintomas, para que possam dar as suas devidas providencias para poderem ajudar os seus alunos em sala de aula, ou até mesmo em estudos extra – classe.
“Educadores, especialistas e governantes arriscam explicação para a repetência e a evasão escolar. Alguns jogam a culpa nos pais pela falta de apoio e conseqüência desestímulo da criança. Outros apontam para a estrutura sucateada do sistema educacional. Alguns dirigem o discurso para a ineficiência do professor ou do método utilizado. Às causas sociais aliam-se forte componente econômico e político. Não há uma única causa para o fracasso escolar”.
Acessado em 17/01/2010.
http://www.bancodeescola.com/fracassocoluna.doc
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A abpp – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICOPEDAGOGIA tem uma matéria interessante sobre a dislexia e o psicopedagogo.
Clélia Argolo Estill (Fonoaudióloga e psicopedagoga)
“O LUGAR DO PSICOPEDAGOGO NA DISLEXIA”
A psicopedagogia tem um compromisso com a esperança - promover o encontro de alguém consigo mesmo, de forma a ampliar e equilibrar competências e desempenho. Há sempre diferentes aspectos que residem no interior de cada um de nós, liberando ou aprisionando nossas capacidades para construir um Saber pessoal.
O lugar do psicopedagogo na dislexia é ser o mediador entre leitor e texto, de tal forma que as reais e objetivas dificuldades lingüísticas deste leitor não se transformem em obstáculos intransponíveis às aquisições e desenvolvimento futuro da leitura.
Se um leitor iniciante toma consciência de que os fatores que dificultam seus tropeços leitores independem de sua vontade, mas que poderá vir a ler e escrever como todos em tempo e modo diferente, isto lhe permitirá manter expectativas e ter projetos positivos em relação a si mesmo.
A abordagem psicopedagógica na dislexia parte das forças cognitivas do sujeito em direção às suas fragilidades lingüísticas fonológicas.
A ação psicopedagógica, portanto, terá mão dupla – ativar os conhecimentos gerais da pessoa com dislexia, fortalecendo sua auto-estima e ampliar os conhecimentos específicos sobre as funções cognitivas lingüísticas, do psicopedagogo que se propõe a intervir no campo dos transtornos de linguagem.
A linguagem oral é função natural do homem, a linguagem escrita é aquisição cultural. Nascemos com o aparato neurobiológico para falar, mas necessitamos adaptar estas habilidades naturais para que sejam utilizadas nas aquisições posteriores da comunicação humana, a leitura e escrita.
O sucesso dos processos de conversão dos sinais da escrita em sons da fala dependerá da harmonia entre a confluência dos sistemas de competência desempenho e esquemas cognitivo emocionais, que constituem os scripts pessoais do sujeito cognoscente.
A conquista da leitura é um projeto de vida de todos nós. É a aquisição cultural que nos possibilita o passe para ingressar na sociedade letrada de nossos dias.
Infelizmente nem todos obtemos esta oportunidade facilmente. Alguns por serem mantidos, perversamente, à margem dos livros; outros por terem livros abertos aos olhos e mãos, mas não conseguirem dominar o seu código de entrada.
Diz Alberto Manguél, ledor do maior escritor latino americano que ficou cego, Jorge Luiz Borges: - uma vez aprendida a leitura nunca mais se olha uma palavra sem a ler, por mais estranha que ela nos pareça. A leitura é uma capacidade cognitiva que transforma uma representação gráfica em representação fonológica, a decodificação. A escrita é o seu corolário – transforma a representação fonológica em representação gráfica, a codificação.
A efetivação destes processos se dá em diferentes níveis, cognitivos, emocionais e sócio-culturais, que são intrinsecamente correlacionados.
A leitura é, portanto, uma atividade complexa. Tal como num leque, são muitas as hastes que sustentam as diferentes atividades da leitura - aspectos filosóficos, sociológicos, neurológicos, psicológicos, biológicos, culturais, lingüísticos e psicolingüísticos, entre outros. Para entender o porquê das alterações na leitura é necessário conhecê-la, em sua complexidade. Só assim encontram-se explicações para as diferentes formas de transtornos e dificuldades emergentes na leitura.
Classificar um transtorno não é rotular reducionistamente alguém a este transtorno, ao contrário, é ampliar o foco e melhor compreender este sujeito na sua totalidade, favorecendo a superação de obstáculos específicos que interferem na sua aprendizagem.
Destacamos dois pontos de vista essenciais ao conhecimento daqueles que trabalham com a aprendizagem da leitura: - Ponto de vista educacional: a Educação pela Leitura tem objetivos distintos e articulados entre si. A função pessoal, como manifestação do desejo de saber, condição indispensável à construção do Sujeito e a função sócio-política, como um ato social, condição indispensável à construção do Cidadão.
- Ponto de vista neuropsicológico: a Ciência da Leitura, através dos estudos de neuro imagens, contribui valiosamente para o entendimento dos transtornos de leitura, localizando, demonstrando e explicando onde, como e por que acontecem as diferentes atividades neuro cognitivas da leitura.
A leitura tem dois objetivos diferentes, mas interdependentes, decodificação e compreensão, ambos com a mesma importância para o desenvolvimento do conhecimento.
O objetivo específico da leitura é a decodificação da palavra escrita, mecanismo fonológico indispensável para a descoberta da palavra. As atividades constantes de decodificação possibilitam a apropriação total do código escrito e a habilidade para o Reconhecimento Imediato da Palavra. É aqui que reside a principal dificuldade das pessoas com dislexia!
Pessoas com dificuldades no Reconhecimento da Palavra terão dificuldades na compreensão da leitura, pela lentidão com que decodificam as palavras, perdendo assim os aspectos globais do texto. Lêem com predominância da via fonológica, apegadas as palavras, perdendo de vista os aspectos profundos do texto.
O objetivo geral da leitura é a compreensão global do texto. Apenas pessoas com habilidade para apreender, correlacionar e associar as diferentes informações que um texto contém poderá inferir conclusões. A inferência é uma atividade intelectiva de abstração, é a plenitude leitora. Capacidade necessária e almejada por todos para a interação Leitor/Autor.
Um bom leitor é capaz de reconhecer imediatamente as palavras e compreender o texto em seu tempo real, isto é, reconhece e significa simultaneamente a Palavra.
Um mau leitor poderá compreender o texto superficialmente, porque não reconhece todas as palavras, uma das características da dislexia. Ou poderá reconhecer todas as palavras, mas não compreender o texto porque não estabelece associações entre as informações. Com freqüência tem muitas dificuldades para inferir conceitos e conclusões; esta é uma das modalidades de dificuldades na leitura características de pessoas com déficits cognitivos difusos, atentivos, lógico-operatórios,
entre outros.
Nem toda a dificuldade de leitura, portanto, pode ser classificada como dislexia.
Registramos e enfatizamos a importância do diagnóstico diferencial entre transtornos de leitura, dislexia e demais dificuldades de aprendizagem, porque o diagnóstico adequado é a bússola que direciona um tratamento. Não cabe mais nos dias de hoje expor alguém a longo tempo de terapia sem saber o quê, porque e como tratar este ou aquele transtorno de leitura.
Principalmente, porque não é justo para com o nosso cliente.
O papel do psicopedagogo é claro e imprescindível nos transtornos e dificuldades de aprendizagem no que diz respeito ao aprendente, mas principalmente, no que diz respeito a si mesmo, quando ocupa o lugar de ensinante. Neste par, ensinante/aprendente, há que se estar atento às diversas competências de cada um de seus componentes: competências relacionais, competências como mobilização de recursos cognitivos-afetivos-sociais e disponibilização de esquemas de conhecimentos específicos.
O psicopedagogo como mediador entre o leitor e o texto, deve favorecer situações para que o leitor entre contato com suas reais possibilidades e dificuldades leitoras.
Para além do jardim de nosso consultório há um mundo maior, a escola e família. O psicopedagogo terá que atuar também neste mundo, esclarecendo e sendo esclarecido, sobre as diferentes formas e possibilidades para acomodar a pessoa disléxica num mundo de leitores fluentes.
Para tanto é necessário que ele se instrumentalize com conhecimentos específicos sobre leitura. A tomada de consciência de quem “eu sou como leitor” é tão importante quanto a tomada de consciência do que “eu sei sobre Leitura”. Ser um psicopedagogo em tempo real é ser capaz de ler os sintomas de alguém, isto é, decodificar e compreender, simultaneamente, os sinais com que nos deparamos no dia a dia de nossa clínica psicopedagógica.
RELATO DE EXPERIÊNCIA
PROGRAMA DE ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
A Orientação Profissional tem o objetivo de resgatar os sonhos dos jovens, abrir caminhos para que percebam que com coragem, determinação, dedicação e disciplina podem enfrentar desafios, criar soluções, correr riscos sem medo de errar, pois a confiança é construída a partir do momento que o desejo e a vontade em realizar e conquistar sejam estabelecidos a partir da escolha consciente.
“O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos”.
Eleanor Roosevelt
O processo de Orientação é realizado em 10 encontros semanais com aproximadamente duas horas e meia, com grupo de doze pessoas e dois coordenadores.
1) O processo conta com uma entrevista individual inicial com cada participante e uma entrevista final.
2) Encontros:
a) Apresentação
• Utilização de técnicas de apresentação a fim de explicar a proposta da atividade, levantar as expectativas e possibilitar que todos se conheçam.
• Adolescência: “SER ADOLESCENTE” e como se insere a escolha profissional nesse contexto.
• Autoconhecimento: Desenvolver com jovens a capacidade de auto percepção, expressar suas expectativas em relação ao processo de Orientação Profissional para logo depois descobrir e expressar seus gostos e interesses .
• Trabalhar a questão da família, em suas expectativas e vivências em relação à profissão.
• Conhecer as profissões desenvolvidas e valorizadas no meio familiar de cada jovem, no qual utilizamos a teoria sistêmica de mitos familiares para essa discussão. Apresenta a noção de “ projeto de futuro” dos adolescentes.
• Realidade Ocupacional (R-O) inclui informações sobre diferentes cursos universitários, ou não, e possibilidade de trabalho. Discutir sobre a questão da “empregabilidade” e da globalização e suas conseqüências no mundo atual e principalmente sobre o futuro.
• Realidade Social: O objetivo desse encontro é propiciar um debate sobre a influência dos fatores sociais na escolha.
• Escolha Vocacional / Profissional - Propiciar uma tomada de consciência sobre quais são as áreas de interesse e a discussão sobre qual profissão se ajusta mais para cada jovem.
•Diferença de Orientação vocacional e Orientação Profissional – Escolha profissional, subjetividade e projeto de vida.
• Visita às Universidades – os participantes serão convidados a fazer uma visita guiada a fim de conhecer os cursos escolhidos.
RECURSOS: Jogos, filmes, palestras, dinâmicas...
ELSA ENNES DE MARTINO LOUREIRO (MEC 9403041)
Pedagoga com habilitação em Orientação Educacional, Administração e CoordenaçãoPedagógica, Psicopedagoga, Formação em Orientação Profissional e Formação em Arteterapia.
Atendimento:Criar-se - Praia de Botafogo, 210 / Sl 901 Botafogo
Cep 22250-040
Tel: 2553-4040 / 9617-5586 email: mel_star@terra.com.br
Acessado em 17/01/2010.
http://www.abpp-rj.com.br/Boletim_ano_11_n_1_junho_2007.pdf


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