
Nos meus dias de estágio e de observação nas escolas ainda vi que muitos não sabem bem o que é dislexia, e não sabem lidar com esse tipo de dificuldade e acabam abandonando o caso fazendo o que a criança se sinta incapaz e burra.
Coloco aqui um texto que fala exatamente da discriminação.
Criança disléxica é discriminada nas escolas
Selene Calafange
Não consigo matricular meu filho nas escolas, para este ano letivo de 2001.
Venho, através desta, tornar público o mais recente tipo de discriminação, e ao meu ver, extremamente desumana e cruel.No nosso mundo tão moderno existe um fantasma... um fantasma invisível que consegue transformar algumas crianças em vitimas... vitimas das escolas... vitimas dos professores... vitimas dos colegas... vitimas até dos pais... vitimas da vida.
Este fantasma possui o terrível poder de transformar em câncer uma criança inteligente... sadia... este fantasma chama-se Dislexia. Sou uma mãe que vem buscando ajuda e apoio ao filho que tem este diagnóstico.
Tenho lutado arduamente e exaustivamente para que o Sistema Educacional Brasileiro apoie e ajude meu filho, mas nada consegui.
Tornei-me uma investigadora dos Distúrbios da Aprendizagem, especificamente da Dislexia. Após anos de frustrações e lágrimas, meu filho (hoje com 13 anos), foi diagnosticado como disléxico aos 8 anos. Não compreendo como professores que se apercebem das dificuldades escolares de um aluno, não perceberam do que se tratava. Isso significa que Escola e professores ignoram o que seja Dislexia, nem ao menos sabem que existe... e pior, não sabem que tem jeito! As escolas em que ele estudou, aqui no Brasil, (todas particulares e caríssimas) apenas "observaram" que existia alguma coisa errada com o desenvolvimento escolar dele, mas no fundo, pensavam mesmo é que ele era "lento", "preguiçoso", "não queria nada com os estudos" etc. Fui ao longo dos anos, após freqüentar psicólogos, fonaudiólogos, psicomotricistas e muitos outros especialistas, indicados pelos próprios colégios, acumulando apenas stress e frustrações, até que resolvi, mesmo por insight e por "sentir" as dificuldades dele, tirá-lo de todos estes especialistas e levá-lo a um neuropediatra, onde, após alguns testes, ficou diagnosticada a Dislexia. O médico foi extremamente vago e me disse apenas que não esperasse dele nenhuma intelectualidade (o que, hoje, acho uma atitude bastante negligente) e que não era o caso dele freqüentar escolas especiais, as escolas normais é que deveriam estar aptas a receber estas crianças, mas que aqui, eu nem me iludisse, que não havia nenhuma. Nisso ele estava certo!!! Certíssimo!
De lá para cá nada mudou. Continuei a minha via crucies, com professores particulares o ano todo, psicólogos etc... Só agora neste ano de 2000, quando obtive um computador, e guiada pela angústia nos olhos de meu filho ao final de cada avaliação escolar, comecei a pesquisar na Internet sobre o assunto. A cada site que entrava (a maioria em Inglês) ficava mais indignada em perceber o desrespeito oferecido aos disléxicos, pelos órgãos ligados à educação no meu país.
Sou graduada em Letras, e nunca durante toda minha vida universitária, aqui no Brasil, tive qualquer esclarecimento sobre os Distúrbios da Aprendizagem, que são muitos, nem como matéria básica do meu currículo universitário, nem como curso de extensão ou palestras, ou qualquer coisa no sentido de informação e conhecimento do assunto. É onde começa a grande ineficiência: na formação dos profissionais de educação.
Mergulhei fundo nas minhas pesquisas, ávida de informações que pudessem ajudar-me com meu filho. Hoje , após exaustiva luta, após contatar vários órgãos e instituições brasileiras e estrangeiras, cheguei a algumas tristes conclusões:
1- Pouquíssimas pessoas ligadas à Educação, não generalizando, conhecem a Dislexia e/ou Distúrbios da Aprendizagem, o que dificulta a diagnose precoce, que é muito importante, como também o devido tratamento, ou melhor, treinamento (a reeducação, o que não seria necessário, caso houvesse a prevenção, o que também é possível).
2- Alguns profissionais que conhecem o assunto, mantêm uma posição conformista e irresponsável, exatamente por não terem fundamentações e nem conhecimento de causa, nem nenhuma profundidade sobre o tema. Tratam a Dislexia como uma disfunção neurológica irreversível, o que não o é, em verdade.
3- As crianças portadoras de Dislexia, não se enquadram em nenhuma situação na atual Educação Brasileira:
Nas escolas particulares, não se conhece a Dislexia. Não existe um apoio especial para alunos disléxicos nestas escolas. Enfim, não existem crianças disléxicas nas escolas particulares. Todos precisam ser "alunos nota 10"!
Nas escolas públicas, eles não são enquadrados nem como portadores de necessidades especiais, já que têm seu teste de QI normal (para se ter a diagnose de Dislexia é imprescindível que este teste esteja dentro dos parâmetros do QI médio, ou acima dele), então, se têm o QI normal, e são inteligentes, não são deficientes, não têm dificuldades, simplesmente são vistos e etiquetados "burros", "preguiçosos" ou algo desta natureza. Isto cria um estigma, que eles carregam por a toda a vida, como uma cruz, o que gera uma série de problemas sociais e psicológicos. São freqüentemente crianças humilhadas em casa, na presença dos outros irmãos, sempre com boas notas... humilhadas na Escola, pois ser o lanterninha da classe não é bem um motivo de orgulho, e as outras crianças não perdoam... cria-se um enorme abismo entre elas... Como têm a inteligência normal, e muitas vezes acima do normal, elas percebem que têm dificuldades, mas não sabem como superá-la. Sem ajuda e apoio elas perdem-se... desestimulam-se... desistem...
É assim que são tratados os disléxicos no Brasil... Entra, então, neste contexto ,o problema seríssimo da auto estima... eu sei bem o que é isso. Meu filho, aos 7 ou 8 anos dizia-me "eu não devia ter nascido". Apenas para informação: existe uma incidência muito grande de disléxicos nas populações marginais, ou seja, no cárcere, nas drogas e nos desempregados, por não terem apoio, por não serem respeitados, por serem relegados. Não permitirei que meu filho seja mais um número para o aumento desses índices.
Não existe especificidade para a Dislexia dentro do Sistema Educacional no Brasil. Não é conferido aos portadores de Dislexia, condições de realizações e de aprendizagem; não têm direito à igualdade de oportunidades educacionais... não têm direito a um futuro.Entrei em contato com muitas instituições estrangeiras, recebi muito material informativo. Comprei muitos livros.
Através dos livros, conheci o Prof. Dr. Vítor da Fonseca, coordenador do mestrado em Educação Especial, na Faculdade de Motricidade Humana, em Lisboa. Este, deu-me todo o esclarecimento e suporte para que meu filho tenha o necessário para seu desenvolvimento e progresso escolar. Trata-se da reeducação psicomotora. Fiz alguns testes para identificar a dislexia especifica dele. Ficou claro: tinha grandes dificuldades de orientação espacial. Uma criança orienta-se no espaço em relação ao seu próprio corpo. Ora, se ela não consegue reconhecer, sentir seu próprio corpo, o alto e o baixo, a direita e a esquerda (isso chama-se um mal esquema corporal) ela encontra-se desamparada em relação ao mundo exterior. Vi então claramente o que tinha acontecido e como se desenvolveu a dislexia nele: na pré escola, por ele ser hiperativo (outro problema que a Escola não sabe como conduzir), não participava dos exercícios que aprimorava a Psicomotricidade, as professoras me contavam: "Ele foge da sala de aula e vai para o parque!" Achando muita graça nisso. Comecei a analisar então porque o grande índice de reprovação nas escolas públicas, as crianças não tem direito a uma educação psicomotora, porque entram na escola aos 7 anos. É primordial, para que alguém leia ou escreva, que tenha uma educação psicomotora aprimorada até os 7 anos de idade. Para nada mais serve a pré-escola, senão para a socialização e a Psicomotricidade. Se eu consegui me aprofundar e compreender tudo isso, qualquer pessoa interessada e comprometida com a Educação também consegue!!
A partir de todas as informações que tinha de fora, resolvi então ver como funcionava aqui no Brasil. Participei de congressos, de palestras. Conversei com congressistas e palestrantes. Fui inclusive a Portugal ver como funcionavam as escolas de lá. Também através da Internet, tomei conhecimento de um curso de especialização para professores, em Dislexia, este em Aveiro. Estive em Portugal, em Outubro de 2000, para ver como funcionava a escola á nível de apoio pedagógico aos disléxicos. Há realmente uma grande preocupação para a conscientização e a sensibilização, em relação à Dislexia.. Estive na EB 2-3 em Ílhavo e vi pessoalmente como funciona o apoio às crianças disléxicas, a nível de Escola. Fui atendida pelo Prof. Dr. Carlos Manuel da Silva, especialista em dislexia, o qual foi de gentileza e atenção inestimáveis.
Autodidaticamente, elaborei um projeto de reeducação psicomotora e reeducação corretiva da língua para meu filho (se as suas dificuldades tivessem sido descobertas logo que começou a aprendizagem da leitura, apenas alguns meses de reeducação teriam sido suficientes para libertá-lo de toda esta angustia). Mas para isso preciso que a Escola me dê um apoio, pois de nada adianta este treinamento, se as escolas, não me derem o mínimo suporte necessário, no sentido pedagógico (em Portugal a própria escola faz este treinamento com o aluno, em outro horário). É um trabalho totalmente em conjunto. Tentei em muitas escolas este apoio, ninguém abriu-me esta porta. E pior de tudo: Não consegui matricular meu filho nas escolas que procurei para este ano letivo de 2001. Todas "sugerem", muito sutilmente que procure outra escola. Ou seja, agora, além de todas as dificuldades inerentes ao problema, rejeitam meu filho. Isso é PRECONCEITO, isso é EXCLUSÃO, isto é CRIME e INAFIANÇÁVEL!
Mas crimes aqui, não são passivos de justiça.
Minha atual situação é a seguinte:
Se eu não comunicar às escolas que ele tem dislexia e o que é preciso fazer para tornar viável a aprendizagem dele, o problema vai continuar o mesmo, ou seja, vão mandar chamar-me na escola logo nas primeiras notas, e com aquele "ar catastrófico" irão sugerir que eu o leve, primeiro ao psicólogo, mais tarde ao fonoaudiólogo e assim sucessivamente, já conheço todo o processo. E de nada vai adiantar tudo isso! Já percorri este caminho....
Se eu disser o que sei e aprendi, não o aceitam na escola. E o que eu faço? Quais são as minhas chances? E as do meu filho?
Isso tudo acontece simplesmente por pura falta de humildade das Escolas. Não aceitam que uma mãe tenha mais interesse e pesquise mais que elas. Preferem assumir esta atitude negligente e irresponsável para com o aluno. Por que não poderíamos desenvolver juntos algum projeto que ajudasse meu filho, e quem sabe, mais quantas crianças com o mesmo problema? Por que a minha vivência diária de toda uma problemática, e tudo o que aprendi não interessa à Escola? Segundo estatísticas de 15% a 30% das crianças em idade escolar podem ser disléxicas. É uma incidência muito alta. Eu tenho a grande vantagem de estar disponível e de poder dedicar muito tempo à reeducação de meu filho. E as outras crianças? O que será feito delas?
Contatei vários órgãos governamentais, como a Secretaria de Educação Especial/SP(SEE/SP), Organizações Não Governamentais, Associação Brasileira de Dislexia (ABD), a LDB - Lei de Diretrizes e Bases, a qual mandou-me um longo e-mail fazendo-me ver que:
EXISTE toda uma legislação para apoiar e dar suporte a todos os alunos deficientes ou portadores de necessidades especiais (nisso não se inclui a dislexia) e de uma forma bastante adequada, mas, ao final desta mesma correspondência afirmaram (ipsis litera) :
"Como exposto acima, a Lei promove mudanças significativas na questão da Educação Especial. Você deve estar pensando: bom, e na realidade, na nossa vida concreta? Aí é que reside o distanciamento entre o que prescreve a lei e a realidade. As formas de aplicação da lei demandam estudos, devido ao descaso a que essa população específica tem sido relegada"
E mais à frente me sugerem:
"continue pesquisando e estabeleça rede de contatos com famílias que vivem a mesma situação."
Diante do exposto, pelo próprio órgão que legisla a Educação, e não consegue fazer com que se executem as leis por ele próprio elaboradas, fiquei realmente muito desestimulada a ir em frente nesta luta social, descobri que não tenho "poder" para modificar toda uma situação que descobri ser simplesmente política, não é humana, não é social, não é educativa. O aluno é o objeto de menos importância na Educação brasileira.
Da Secretaria de Educação Especial (SEE/SP), recebi o convite para incluir minhas pesquisas na Revista Integração, que circula pelo país, a nível de escola pública. E por que eu faria isso? No que minhas pesquisas iriam ajudar meu filho e/ou outras crianças com o mesmo problema? Minhas exaustivas horas de estudos serviriam apenas para informação? Isso é pouco, muito pouco! E efetivamente o que fariam pelo meu filho? Absolutamente nada.
Sou uma dessas pessoas que ainda se emociona ao ouvir o Hino Nacional... Mas estou desistindo do Brasil... Tentei de tudo...
Estou neste momento, viabilizando a única saída que me restou: sair do Brasil com meu filho. Para que ele possa desenvolver-se e tornar-se um adulto digno. Para que ele possa ter direito a um futuro, a uma vida. Infelizmente não tenho tempo nem disposição para cruzar meus braços e esperar que alguém, um dia tome alguma atitude. Tenho pressa. Agradeço a Deus essas possibilidades. Sei que milhões de crianças no Brasil não as terão.
Nas estatísticas de dislexia no mundo, curiosamente o Brasil não participa destas estatísticas. Será o Brasil um país privilegiado? Sem nem ao menos um disléxico?
Também não encontramos nenhum brasileiro uma lista de disléxicos famosos.. Privilégio nosso? Talvez sorte...
Precisamos fazer com que as escolas não sejam apenas mais uma forma de se enriquecer ilicitamente neste país, digo ilicitamente pela total negligência e falta de comprometimento com o aluno em si, apesar de pagarmos tão alto preço, por uma educação ineficiente, inespecífica e descomprometida. O aluno é apenas mais um número que significa uma cifra. Nada mais...
Desde já agradeço a atenção e sei que apenas a imprensa poderá, de alguma forma, pelo menos alertar as autoridades e sensibilizar os profissionais de educação... Tudo é apenas uma questão de investigação, de interesse, de amor ao que se pretende, e que chamam Educar.
http://www.nossacasa.net/educ/texto.asp?texto=53
Por, Prof. Jonas de Melo Silva
Guarujá SP, 28 de outubro de 2003-10-28
Caro(as) amigo(as):
Tenho um filho disléxico de 12 anos chamado Henrique. Há dois anos atrás ele foi diagnosticado pela ABD - Associação Brasileira de Dislexia, localizada na cidade de São Paulo. Por conta desta descoberta, tenho me dedicado ao estudo do problema, na condição de mestrando em educação pela Universidade São Marcos. Pretendo, com a pesquisa, encontrar professores que saibam trabalhar com alunos que apresentem dificuldades na aprendizagem da leitura e escrita, além de buscar métodos, materiais e estratégias pedagógicas adequadas para os disléxicos. Como pai e pesquisador, tenho encontrado enormes dificuldades no que se refere a aprendizagem do meu filho. Isto se deve ao fato do tema ser pouco conhecido. Estou impressionado como as psicólogas, psicopedagogas, orientadoras educacionais e pedagógicas, além de professores e diretores, desconhecem a dislexia e suas implicações. Devido a problemas emocionais agravados pelos insucessos das escolas que freqüentou, fui obrigado a retirá-lo da escola em meados de março deste ano (2003). Desde então, ele começou a fazer seções com uma psicopedagoga e uma psicóloga. O Resultado foi um fracasso, só serviu para eu gastar dinheiro e descobrir que as profissionais não sabiam lidar com o assunto e também não estavam muito interessadas em estudar a dislexia. O meu filho se recusou a interagir durante a maioria das seções. Ele está travado e extremamente pessimista quanto a sua aprendizagem. Além do mais, ele já está suficientemente maduro para descobrir que os “psicos” da vida não sabem o que fazer para ajudá-lo. Meu filho precisa de um pequeno sucesso em sua aprendizagem. Qualquer avanço, por menor que seja, lhe trará de volta a perspectiva de ele pode aprender. Afinal de contas, dá pra imaginar como fica a auto-confiança de um garoto que em termos escolares só colecionou fracassos ? Por esta razão, acredito que meu filho seja muito forte, um verdadeiro “bravo”, pois o sentimento de fracasso muitas vezes não é suportado nem por pessoas vividas, maduras. A saída para reerguer sua auto-estima, está sendo as aulas de natação. Ele não só adora nadar, mas também é um excelente nadador. Ele estava fazendo aulas de bateria (instrumento musical), mas teve que parar em função de uma crise em minha conta bancária. Desde maio deste ano, encontro-me afastado do trabalho para tratamento de saúde, o que reduziu em 2/3 a minha renda mensal, que é a única da família. Quando a situação melhorar, pretendo retomar a música não só com o Henrique, mas com meus outros dois filhos: Mariana (15 anos) e Guilherme (9 anos). Eu acho que falta uma professora de língua portuguesa que o estimule a enfrentar e vencer suas dificuldades para a leitura e escrita. Como a minha pesquisa está baseada numa entrevista a ser feita junto aos professores da rede pública e privada da cidade de Guarujá, tenho a esperança de encontrar professores que utilizem métodos e materiais pedagógicos voltados ao ensino multissensorial recomendado para disléxicos. Acredito que alguns o fazem por vocação e criatividade, sem a compreensão teórica do que estão fazendo. Mas, na educação, o que vale é o amor. Quem ama a profissão nunca se conforma em ter na sua sala de aula um aluno que, mesmo sendo inteligente, esperto e saudável, não consegue aprender a ler e escrever fluentemente. O objetivo do meu trabalho acadêmico é concluir com uma proposta pedagógica voltada para a alfabetização de disléxicos, extraída dos livros e da prática docente. Recentemente descobri o método fônico de alfabetização. A descoberta foi feita quando adquiri o livro Alfabetização: método fônico, de autoria de dois pesquisadores da USP: Alessandra Gotuzo Seabra Capovilla e Fernando César Capovilla, editado pela FUSP – Fundação de Apoio à USP. Este livro é um manual do método fônico destinado aos professores, dividido em duas partes: A primeira é a fundamentação científica sobre o assunto; a segunda é a implementação do método propriamente dita. Em função deste livro, eu adquiri os dois volumes destinados aos alunos. Tenho feito pesquisas bibliográficas junto a algumas universidades e entidades de pesquisa (USP, UNICAMP, CAPES, CNPq), que estão me deixando otimista com relação à utilização do método fônico na alfabetização de disléxicos, inclusive preventivamente se aplicado em crianças com idade entre 4 e 5 anos de idade. Além das publicações acima, estou lendo também Problemas de leitura e escrita, como identificar, prevenir e remediar numa abordagem fônica, também de autoria do casal Capovilla. Outra evidência em favor do método fônico é o livro do norte-americano James Bawer, Dislexia: Rompendo as barreiras do preconceito, onde o autor relata que foi re-alfabetizado aos 25 anos de idade por um professor que utilizava o método fônico. Além disto, localizei a tese de mestrado A estimulação da Consciência Fonológica em indivíduos portadores de dislexia, de autoria de Terezinha Maria Miguel Valério, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. O que ela classifica como consciência fonológica, é a habilidade do educando identificar e trabalhar com os sons da fala. Posteriormente dá-se a consciência fônica que é a relação existentes entre as letras do alfabeto e os sons da fala (relação grafema/fonema), também encontrados nos trabalhos de Alessandra e Fernando Capovilla, da USP. São referências que me levam a crer que o método fônico pode ser uma alternativa viável para a aprendizagem da leitura e escrita dos disléxicos. Após assistir uma aula do Dr. Fernando Capovilla, na Faculdade de Psicologia da USP, tive a oportunidade de conversar pessoalmente sobre a possibilidade de receber ajuda para capacitação de professores que possam dar aulas particulares para o meu filho. O prof. Capovilla pediu que eu conversasse com a Dra. Alessandra Capovilla, sua esposa. Recentemente eu mandei um E-mail para ela. Para minha decepção ela respondeu dizendo que não poderia me ajudar e recomendou que eu mesmo aplicasse o método fônico com meu filho. Mas como posso fazê-lo se nunca trabalhei com alfabetização nem tenho formação acadêmica para isto (Sou professor de história). Felizmente encontrei uma professora aqui do Guarujá que está estudando o método fônico em sua pesquisa de mestrado e, apesar de não ter tempo disponível, prometeu me ajudar de alguma forma. Espero que eu seja bem sucedido, pois com as psicólogas e psicopedagogas eu só me decepcionei e gastei muito dinheiro. Alias, hoje, não tenho mais condições de arcar com os elevados custos da aprendizagem de meu filho. As profissionais capacitadas que encontrei trabalham na cidade de São Paulo e cobram o “olho da cara”. Já vendi até o meu carro para fazer frente ao sustento da família. Por esta razão, hoje eu conto apenas comigo mesmo, minha esposa, com a colaboração de alguns amigos e com Deus. Infelizmente, tratar a dislexia no Brasil é coisa pra rico, e isto, infelizmente eu não sou. Pra piorar as coisas, toda literatura científica sobre o assunto está em inglês, mesmo que se queira, não dá para estudar o assunto com profundidade. Esta é mais uma bandeira de luta: a tradução da literatura sobre dislexia para a língua portuguesa. Na impossibilidade de contratar profissionais especializados, estou procurando professores que, se não tiverem conhecimento técnico sobre o assunto, pelo menos tenham boa vontade e paciência pra ensinar o meu filho. Em último caso, eu mesmo farei isto. O que não posso é ficar de braços cruzados vendo meu filho fracassar mais uma vez.
Bem, chega de lamentação, pois tenho a certeza de que estou lutando com todas as armas que encontrei. Tenho até o final do ano para concluir minha pesquisa e ao mesmo tempo conseguir fazer com que o meu filho avance e recupere a vontade de estudar, ou pelo menos de freqüentar a escola. Ele precisa perder o medo de enfrentar suas dificuldades. Este é o maior desafio que ele tem pela frente. Se livrar do medo de estudar.
http://www.dislexia.com.br/depoimento.html
13-10-2009



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