a Dislexia. Essa Psicopedagoga Paranaense cria métodos que utiliza o som das letras para
alfabetizar crianças que sofrem com o distúrbios.
PARA TER MAIS INFORMAÇÃO SOBRE TÉCNICAS, VISITE O SITE WWW.METODODASBOQUINHAS.COM.BR
Brasília, quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Para vencer a dislexia- Saiu no Correio Brasiliense Para vencer a dislexia - Corr. Brasil.
Por: Paloma Oliveto - Correio Brasiliense
Para vencer a dislexia
Psicopedagoga paranaense cria método que utiliza o som das letras para
alfabetizar crianças
Para vencer a dislexia
Psicopedagoga paranaense cria método que utiliza o som das letras para
alfabetizar crianças que sofrem com o distúrbio
Paloma Oliveto
Da equipe do Correio
Depois de perceber a dificuldade de aprendizado de Gabriela,
Luciana resolveu aplicar ela mesma, e com sucesso,
Paloma Oliveto
Da equipe do Correio
Depois de perceber a dificuldade de aprendizado de Gabriela,
Luciana resolveu aplicar ela mesma, e com sucesso,
o método das boquinhas na filha:
"Ela já melhorou bastante e reconhece as vogais."
Para a maioria das crianças, “b” + “a” é igual a “ba”. Mas entre 10% e 15% das pessoas
olham para as duas letras e não veem nada além de símbolos incompreensíveis.
Confundidas com desatentas, preguiçosas ou mesmo portadoras de deficiência mental,
elas são, na realidade, disléxicas. O distúrbio, que tem origens genéticas e neurológicas,
faz com que o uso do hemisfério direito do cérebro seja mais acionado do que o
esquerdo, lado relacionado às habilidades leitura e da linguagem. Assim, as formas
mais usuais de alfabetização, como o construtivismo, não funcionam adequadamente.
Uma metodologia brasileira adotada por 10 secretarias de educação estaduais e
Para a maioria das crianças, “b” + “a” é igual a “ba”. Mas entre 10% e 15% das pessoas
olham para as duas letras e não veem nada além de símbolos incompreensíveis.
Confundidas com desatentas, preguiçosas ou mesmo portadoras de deficiência mental,
elas são, na realidade, disléxicas. O distúrbio, que tem origens genéticas e neurológicas,
faz com que o uso do hemisfério direito do cérebro seja mais acionado do que o
esquerdo, lado relacionado às habilidades leitura e da linguagem. Assim, as formas
mais usuais de alfabetização, como o construtivismo, não funcionam adequadamente.
Uma metodologia brasileira adotada por 10 secretarias de educação estaduais e
por 23 municipais, porém, tem apresentado resultados animadores. Em média, as
crianças disléxicas de 6 anos que aprendem pela nova técnica levam cerca de oito meses
para serem alfabetizadas. Já as que não recebem tratamento específico podem chegar ao fim do
ensino fundamental ainda trocando as letras.
Publicado pela primeira vez há 10 anos, na revista científica de fonoaudiologia Pró-Fono,
ensino fundamental ainda trocando as letras.
Publicado pela primeira vez há 10 anos, na revista científica de fonoaudiologia Pró-Fono,
o artigo “Alfabetização de crianças com distúrbios de aprendizagem, por
métodos multissensoriais, com ênfase fono-vísuo-atriculatória” foi a base do desenvolvimento
da metodologia pela fonoaudióloga e psicopedagoga paranaense Renata Jardini. Mãe de
um disléxico, ela se interessou em pesquisar alternativas à alfabetização do filho na década
de 1980, depois de morar na França, onde conheceu experiências inovadoras. “A ideia
era desenvolver um método que possibilitasse a aprendizagem sem que ele passasse pelas
coisas que meus pacientes descreviam, como constrangimento, discriminação e
sinal de aprendizagem do ser humano — para se comunicar, por exemplo,
o bebê chora e emite sons —, Renata desenvolveu um método multissensorial. Ela descobriu
que é mais eficiente alfabetizar as crianças ensinando-as a associar o gesto da boca ao
som das letras e à grafia.
“Para falar a letra ‘a’, abrimos a boca e fazemos um som típico. Quando associa aquele
“Para falar a letra ‘a’, abrimos a boca e fazemos um som típico. Quando associa aquele
gesto ao som do ‘a’, a criança vê a vogal escrita e consegue entender”, resume.
Por isso, a psicopedagoga apelidou a técnica de método das boquinhas, aplicada pela
primeira vez nas escolas do Paraná. “Nada é feito por memorização, mas por experimentação.
É um método concreto”, completa.
Filha de um disléxico e com cinco irmãos portadores do mesmo distúrbio, a assessora
Filha de um disléxico e com cinco irmãos portadores do mesmo distúrbio, a assessora
legislativa Luciana Rubino, 35 anos, penou para conseguir dominar o alfabeto.
Isso porque só descobriu que também tinha a mesma dificuldade já adulta.
Quando era criança, Luciana precisava se debruçar sobre os livros.
“Não admitia ficar para trás”, conta. “Mas até hoje
escrevo e leio algumas coisas erradas. A dislexia tem de ser acompanhada
escrevo e leio algumas coisas erradas. A dislexia tem de ser acompanhada
na fase da alfabetização. Se não, a pessoa vai ter problemas pelo resto da vida”, conta.
Formada em direito e com pós-graduação em gestão empresarial, ela começou a
Formada em direito e com pós-graduação em gestão empresarial, ela começou a
desconfiar, no ano passado, de que a filha de 5 anos tinha herdado o gene da dislexia.
“Na escola, as crianças já reconheciam todas as letras, e ela, não”, lembra.
“A professora não diagnosticou a Gabriela como disléxica, mas disse que ela
tinha algum problema.” Luciana
resolveu então aplicar, ela mesma, o método da boquinha na filha.
resolveu então aplicar, ela mesma, o método da boquinha na filha.
“Ela já melhorou bastante e reconhece as vogais”, comemora. Neste ano, Gabriela vai
começar a estudar no ensino fundamental.
Informação
De acordo com a coordenadora científica da Associação Brasileira de Dislexia,
Informação
De acordo com a coordenadora científica da Associação Brasileira de Dislexia,
Maria Ângela Nico, se não tratado, o problema pode afetar a autoestima do aluno.
“O disléxico normalmente é muito inteligente e percebe que há algo estranho
acontecendo com ele. Ele se sai bem em
outras matérias, em outras atividades, e por que falha, então, no processo de alfabetização?
outras matérias, em outras atividades, e por que falha, então, no processo de alfabetização?
Logo o problema emocional se instala, abaixando, muito, sua autoestima. Por isso,
é importante uma avaliação precoce”, esclarece. Mas ela afirma que ainda há pouca
informação sobre o assunto no meio pedagógico.
Renata Jardini já capacitou 13,8 mil educadores em 10 estados brasileiros a aplicar
Renata Jardini já capacitou 13,8 mil educadores em 10 estados brasileiros a aplicar
o método das boquinhas. São profissionais tanto de escolas públicas quanto de particulares.
Em 23 cidades, os secretários de educação adotaram a técnica na rede municipal.
É o caso de Palmas,
onde há um projeto de educação precoce que atende bebês a partir dos 2 anos.
onde há um projeto de educação precoce que atende bebês a partir dos 2 anos.
Desde essa idade, as crianças são acompanhadas por fonoaudiólogos, segundo
o secretário de Educação da capital de Tocantins, Danilo Melo Souza.
“Se a dislexia for identificada, elas, aos 4 ou 5 anos, começam a aprender
com o método das boquinhas”, diz.
Em Tangará da Serra (MT), a Secretaria de Educação também levou para
Em Tangará da Serra (MT), a Secretaria de Educação também levou para
todas as escolas municipais a metodologia, que já era aplicada na Associação de
Pais e Amigos de Excepcionais (Apae). Quando eram incluídas na rede de ensino local,
que atende 3,5 mil alunos, as crianças
portadoras de deficiência mental entravam com um nível de alfabetização melhor
portadoras de deficiência mental entravam com um nível de alfabetização melhor
do que o das demais. “O secretário brincou comigo, dizendo que eu estava
causando um problema para ele. Então, fizemos a capacitação na cidade”, conta Renata.
Embora o trabalho ainda seja recente, o secretário Júnior Schleicher diz que o
método está fazendo sucesso. “A satisfação da
população é tanta que há briga para conseguir uma vaga na rede municipal”, orgulha-se.
MÉTODO DAS BOQUINHAS
população é tanta que há briga para conseguir uma vaga na rede municipal”, orgulha-se.
MÉTODO DAS BOQUINHAS
Os sintomas
Formada pelo prefixo “dis”, de distúrbio, e pelo sufixo “lexia”,
que em grego significa linguagem e, em latim, leitura, a
dislexia caracteriza-se pela dificuldade de decodificar e soletrar
a escrita. De acordo com a Associação Internacional de
Dislexia, o problema atinge entre 10% e 15% da
Dislexia, o problema atinge entre 10% e 15% da
população mundial. Veja alguns dos sintomas.
Na pré-escola
_ Fraco desenvolvimento da atenção
_ Atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem
_ Problemas de coordenação motora
_ Dificuldade com quebra-cabeças
_ Falta de interesse por livros e impressos
Na idade escolar
_ Dificuldade na aquisição e desenvolvimento das habilidades lingüísticas e
Na pré-escola
_ Fraco desenvolvimento da atenção
_ Atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem
_ Problemas de coordenação motora
_ Dificuldade com quebra-cabeças
_ Falta de interesse por livros e impressos
Na idade escolar
_ Dificuldade na aquisição e desenvolvimento das habilidades lingüísticas e
na leitura
_ Pobre reconhecimento de rimas e aliterações (sons iguais no início das palavras)
_ Desatenção e dispersão
_ Confusão entre direita e esquerda
_ Dificuldade em manusear mapas, dicionários etc.
_ Problemas de linguagem e de fala, com vocabulário pobre, sentenças
_ Pobre reconhecimento de rimas e aliterações (sons iguais no início das palavras)
_ Desatenção e dispersão
_ Confusão entre direita e esquerda
_ Dificuldade em manusear mapas, dicionários etc.
_ Problemas de linguagem e de fala, com vocabulário pobre, sentenças
curtas e imaturas
ou sentenças longas e vagas
_ Dificuldade de copiar de livros ou da lousa
_ Dificuldade em matemática e desenho geométrico
_ Melhor desempenho em provas orais
Na fase adulta
_ Dificuldade na leitura e escrita permanece
_ Dificuldade para soletrar
_ Memória imediata prejudicada
_ Dificuldade em dar nomes a objetos e pessoas (disnomias)
_ Problemas para aprender uma segunda língua
_ Desorganização de uma maneira geral
_ Comprometimento emocional
_ A apresentação de alguns ou vários desses sintomas não significa
_ Dificuldade de copiar de livros ou da lousa
_ Dificuldade em matemática e desenho geométrico
_ Melhor desempenho em provas orais
Na fase adulta
_ Dificuldade na leitura e escrita permanece
_ Dificuldade para soletrar
_ Memória imediata prejudicada
_ Dificuldade em dar nomes a objetos e pessoas (disnomias)
_ Problemas para aprender uma segunda língua
_ Desorganização de uma maneira geral
_ Comprometimento emocional
_ A apresentação de alguns ou vários desses sintomas não significa
que a pessoas seja disléxica, mas que apresenta um quadro de risco.
Nesse caso, recomenda-se que a pessoa procure um fonoaudiólogo para que
seja feita uma avaliação.
Parceria com a Apae
Além da alfabetização de crianças disléxicas, o método das boquinhas tem outra vocação:
Parceria com a Apae
Além da alfabetização de crianças disléxicas, o método das boquinhas tem outra vocação:
ensinar crianças com múltiplas deficiências a ler e a escrever.
“Como é multissensorial e concreta, a metodologia funciona muito bem
com surdos e deficientes mentais”, diz a fonoaudióloga e psicopedagoga Renata Jardini.
Uma das instituições parceiras da especialista é a Associação
de Pais e Amigos de Excepcionais (Apae), cujos educadores são capacitados na técnica.
Em um congresso da Federação Nacional de Apaes, os educadores da associação de
Em um congresso da Federação Nacional de Apaes, os educadores da associação de
Tangará
da Serra (MT) conheceram a metodologia. Mesmo sem terem recebido capacitação,
começaram a adotá-la. No ano passado, fizeram o curso, e hoje atendem 230 alunos
de várias etapas de ensino.
“Pelo fato de poderem visualizar as letras, os deficientes que têm aprendizagem
“Pelo fato de poderem visualizar as letras, os deficientes que têm aprendizagem
mais lenta conseguem ter bastante sucesso”, conta a psicóloga Lucília Sodré.
Ela diz que 90% dos alunos que foram encaminhados para a Apae por não conseguirem
Ela diz que 90% dos alunos que foram encaminhados para a Apae por não conseguirem
aprender pelos métodos tradicionais foram alfabetizados graças ao método das boquinhas.
No ano passado, 11 entraram na rede pública de ensino, sem necessidade de frequentar
classes especiais.
Além da inclusão educacional, conta Lucília, os estudantes tiveram melhora no
comportamento. “Eles ficam com a auto-estima elevada e bem mais confiantes”,
comportamento. “Eles ficam com a auto-estima elevada e bem mais confiantes”,
características de dislexia.




Nenhum comentário:
Postar um comentário
"Quem sabe faz a hora não espera acontecer"!